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Psicólogos dão dicas de como manter a saúde mental diante do Coronavírus

Juliana Kataoka

19/03/2020 15h00

Perguntamos a cinco psicólogos de linhas e especialidades variadas as recomendações deles para este momento e este é o compilado das respostas que eles nos deram.

Quase todos estamos sendo afetados pelo Coronavírus, seja quem está doente, quem está com medo de ficar ou pelo medo que pessoas queridas sejam infectadas. Nossas rotinas estão sendo remexidas pela recomendação de isolamento e muita gente está temerosa pela indefinição sobre quando voltaremos à vida anterior à epidemia.

Tudo isso é a receita perfeita para que a cabeça da gente fique a mil e para que esta preocupação e incerteza quanto ao futuro possa afetar nossa saúde mental e possa até evoluir para uma condição mais séria. A pergunta de um milhão de dólares é: como manter a sanidade mental em tempo de pandemia? Perguntamos a cinco psicólogos de linhas e especialidades variadas as recomendações deles para este momento e este é o compilado das respostas que eles nos deram.

Veja notícias apenas uma vez ao dia.

Cinco dos cinco psicólogos consultados para este post avaliam que a hiperinformação é prejudicial neste momento. No entanto, também é importante que estejamos com informações atualizadas e confiáveis de como nos proteger da epidemia. A orientação é que as pessoas assistam noticiários apenas uma vez ao dia. Geralmente a edição da manhã é capaz consolidar tudo o que precisamos saber para ficarmos atualizados. Consumir notícias sobre o assunto todo momento pode te levar a um estado mental de constante alerta, prejudicando o relaxamento e capacidade de discernimento.Você tem condições de filtrar conteúdos e impor limites quanto a sua exposição a informações que alterem seu estado de humor.

Você não é nem uma vítima, nem um super-homem.

Lembre-se que essa situação de mudança e desaceleração da vida não é algo que apenas você que está vivenciando, é uma condição mundial. Se enxergar como uma vítima da situação faz com que a gente veja a realidade de maneira distorcida e procure antagonistas que nem sempre são reais. Encontrar e apontar culpados neste momento não contribui ou nos deixa mais protegidos. A necessidade de isolamento não é uma punição e, sim, uma preservação e contribuição para o bem comum. Permanecer em casa por alguns dias é necessário, mas não é uma condição definitiva. Pode demorar algum tempo, mas tudo voltará ao normal.

O isolamento não precisa ser social.

A solitude é um estado desejável de privacidade que permite a reflexão e a subjetivação pessoal, mas a solidão pode produzir tristeza em excesso e potencializar traços depressivos inerentes a cada pessoa. Utilize toda tecnologia disponível para manter-se conectado com a vida e com pessoas que você estima. Telefone, faça videochamadas, mande mensagens. Manter o contato com as pessoas, mesmo à distância, dilui medos e diminui a sensação de solidão.

Evite um olhar fatalista.

Tente ter em mente que o excesso de fala sobre o assunto tende a gerar a sensação de que a doença afetará tudo de forma definitiva, o que não é verdade. O fatalismo impede que a gente seja capaz de enxergar novos cenários. Vendo o mundo por esta ótica, nossas reações e comportamentos podem se revelar de forma destrutiva, ferindo aqueles que estão à nossa volta e nos impedindo de enxergar soluções. Você tem condições de pensar diferente a fim de aliviar as dores produzidas pelo momento atual.

Não ceda à letargia.

Faça atividades na casa que você sempre adiou, alimente-se de música e arte, leia os livros que ainda não conseguiu ler, escreva também. Se essas práticas não forem de seu agrado, encontre outras atividades manuais e físicas que possam ser executadas em casa, como um meio para aliviar desconfortos e para preencher o tempo. Manter-se ativo e produtivo, mesmo em casa, ajuda aliviar a tensão do isolamento. É importante não eliminar durante este período todas as atividades que lhe tragam prazer e satisfação.

Organize sua rotina.

Para muitas pessoas, trabalhar em regime de home office, pode ser uma experiência nova e eventualmente não prazeirosa. Essa nova realidade, ainda que temporária, pode desorganizar a rotina diária e produzir algum tipo de insegurança ou angústia. Organize seu tempo, incluindo períodos voltados a sua atividade profissional, com intervalos como o almoço, pausas para o café e término de expediente, sem abrir mão do tempo livre. Não se esqueça de incluir tempo para o descanso, atividades prazeirosas e a interação com outras pessoas.

Pense no coletivo.

Essa crise nos dá a possibilidade de ver o que é viver em coletividade e que não vai dar pra lidar com todos os problemas sozinho. Todos vão precisar tomar consciência das dificuldades atuais, aceitar acordos e regras de convívio para se proteger, exercitar empatia e buscar um elevado espírito de colaboração e apoio mútuo, que irá se dar tanto na convivência dentro de nossas casas, quanto em relação a todo o resto da população. Em um momento como este, todos nós temos condições de ceder um pouco em nossa individualidade para o benefício coletivo e também a licença de pedir ajuda caso seja necessário. 

Exercite a capacidade de enxergar a situação por outras perspectivas.

Pessoas que trabalham em serviços essenciais e que estarão mais expostas, idosos e portadores de deficiências, pacientes com baixa imunidade e doenças crônicas, pais que continuarão trabalhando e não tem com quem deixar seus filhos com o fechamento das escolas, devem ser ouvidos e priorizados, pois tem perspectivas e necessidades peculiares. Conversar, escutar, compreender e estabelecer rotina solidária inclusiva é importante para que as limitações impostas pela pandemia possam ser assimiladas e seguidas.

Proteja-se física e mentalmente.

Reprodução: Ministério da Saúde / https://coronavirus.saude.gov.br/

A essa altura você provavelmente já conhece as orientações para se proteger que atualmente são:

  • Lavar as mãos com frequência, com água e sabão ou higienizá-las com álcool gel 70%.
  • Praticar a etiqueta ao tossir e espirrar, cobrindo nariz ou boca com um lenço ou com o braço, mas não com as mãos.
  • Evitar tocar olhos bocas e nariz com as mãos não higienizadas. E, ao tocar, lave sempre as mãos depois com água e sabão.
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal como talheres, toalhas, pratos e copos.
  • Evitar aglomerações e manter os ambientes ventilados.
  • Se estiver doente, faça isolamento inclusive das pessoas da casa até melhorar.

Mas é importante lembrar que a ansiedade e a imunidade são extremamente ligadas, portanto, cuidar da saúde mental também é um ato de prevenção. Quem puder e quiser fazer algum acompanhamento psicológico nesse momento, pode verificar psicólogas e psicólogos que atendem online. Pessoas que apresentam sinais de ansiedade e que não puderem ter acesso a esse tipo de cuidado também podem abrir isso pra pessoas próximas de confiança, conversar sobre esses medos e tentar entender os mecanismos que despertam a ansiedade para evitar estímulos estressantes e informações falsas.

Este post foi produzido a partir das informações obtidas com os psicólogos Roland de Oliveira, Julia Bueno, Fabiana Villas Boas, psicóloga de crianças, pais e bebês, Ana Maria Yamaguchi e Silvia Pirre, psicólogas aprimoradas em gerontologia, e manual produzido pela psicóloga Karoline Paiva e o psicanalista Marcos Vagner que pode ser acessado aqui.

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Sobre as autoras

Juliana Kataoka, jornalista e redatora, trabalhou no BuzzFeed Brasil, em agências de publicidade e outros veículos. Não consegue sair das redes sociais, mas jura que tenta. Redes sociais: Twitter Facebook Instagram
Susana Cristalli, jornalista de formação, redatora de tudo um pouco e tradutora. Moradora da internet, acorda cedo pra varrer a calçada cheia de memes do dia anterior. Redes sociais: Twitter Facebook Instagram

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Vamos contar pra você, do nosso jeitinho, as histórias que mais quicaram na internet durante esta semana e que você talvez tenha perdido, ou não.

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