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O vídeo da Dora Figueiredo lembrou que abusador não vem com placa de aviso

Susana Cristalli

18/07/2019 18h29

O vídeo da YouTuber Dora Figueiredo, sobre como foi viver um relacionamento abusivo, mexeu profundamente com muita gente. Caso você queria assistir, é bom avisar que ele contém diversos gatilhos para quem já passou por uma situação semelhante.

No relato, ela reforça um ponto importante: nenhum relacionamento abusivo aparenta ser tal desde o início. Não existe uma placa de aviso.

Apesar de ela nunca mencionar o ex-parceiro no vídeo, o relacionamento do qual Dora saiu era público e conhecido na internet. Ela e o também youtuber Tavião era um "casal perfeito" adorado pelos seguidores, e por isso muita gente se surpreendeu com o relato.

Mas quem já teve uma vivência parecida aproveitou a discussão para lembrar que muitas vezes o abuso psicológico não é óbvio para quem vê de fora. E o pior, nem para quem está dentro dele. Porque ele pode estar em atitudes sutis que vão se instalando aos poucos na rotina do casal.

Também é comum as pessoas associarem a ideia de relacionamento abusivo a um certo estereótipo de pessoa, como por exemplo alguém que demonstre ser instável ou violento.  Ou alguém que é declaradamente machista e misógino. Mas para ser abusador basta uma coisa: cometer o abuso.

Além de se culpar pelos problemas da relação, a vítima ainda costuma ser alvo de julgamentos e de dúvidas sobre a legitimidade de sua denúncia. "Ora, mas porque ela não terminou com ele?". Como se ter consciência do que é melhor pra si fosse fácil no momento em que a pessoa está com o psicológico totalmente à mercê do abusador.

Denunciar pede muita coragem, pois além de tudo a vítima vai passar pelo escrutínio geral. Tudo isso piora quando o abusador não "tem cara" de ser o que é.

O vídeo da Dora Figueiredo deu forças para muitas pessoas se manifestarem e reforçarem esse ponto: é raro um relacionamento já nascer abusivo. Ele torna-se abusivo gradualmente. E seus efeitos permanecem na pessoa por muito tempo depois dele terminar

Poder se abrir e contar com o apoio de quem entende o que é passar por isso são ferramentas poderosas para o processo de cura. E agora, muitas mulheres estão se unindo em volta da Dora para ela saber que não está sozinha.

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Sobre as autoras

Juliana Kataoka, jornalista e redatora, trabalhou no BuzzFeed Brasil, em agências de publicidade e outros veículos. Não consegue sair das redes sociais, mas jura que tenta. Redes sociais: Twitter Facebook Instagram
Susana Cristalli, jornalista de formação, redatora de tudo um pouco e tradutora. Moradora da internet, acorda cedo pra varrer a calçada cheia de memes do dia anterior. Redes sociais: Twitter Facebook Instagram

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